Em cinco frases
- O Banco Master era o antigo Banco Máxima, cujo controle passou a Daniel Vorcaro depois que o Banco Central, em 2019, primeiro recusou e meses depois aprovou o pedido [1] [2]; o nome mudou para Master em 2021 [3].
- O banco cresceu captando dinheiro com CDBs que pagavam bem acima da média [4], vendidos ao público com o argumento de que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) cobria o investidor [5].
- Em 18 de novembro de 2025 o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master e de outras instituições do grupo [6], citando grave crise de liquidez e violações às normas [7]; no mesmo dia a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero [8].
- O FGC informou cerca de R$ 40,6 bilhões em garantias a cerca de 800 mil credores do Master, do Master de Investimento e do Letsbank [9].
- Parte do dinheiro que ficou de fora da garantia é de institutos de previdência de servidores públicos, que compraram letras financeiras e cotas de fundos ligados ao banco; letras financeiras não têm cobertura do FGC. Veja Dinheiro das aposentadorias.
O que é cada coisa
CDB é um empréstimo que a pessoa faz ao banco: ela entrega o dinheiro e recebe juros. Se o banco quebra, o FGC devolve até R$ 250 mil por pessoa (CPF ou CNPJ) e por instituição ou conglomerado — bancos do mesmo grupo dividem o mesmo limite —, com teto de R$ 1 milhão em garantias recebidas a cada quatro anos, nas condições do regulamento do FGC. As instituições do conglomerado Master tiveram regra de transição para produtos comprados antes de serem incorporadas ao grupo [10].
FGC (Fundo Garantidor de Créditos) é uma entidade privada mantida pelos próprios bancos. Quando um banco quebra, o FGC paga os clientes cobertos — e o custo é dividido entre os outros bancos, que repassam isso ao sistema.
Letra financeira é outro tipo de papel de dívida de banco, para valores maiores e prazos longos. Não tem cobertura do FGC. Foi o principal papel comprado por institutos de previdência.
Liquidação extrajudicial é o fechamento de uma instituição financeira decretado pelo Banco Central. Um liquidante assume, vende o que houver e paga credores na ordem da lei.
RPPS (regime próprio de previdência) é o fundo que paga a aposentadoria de servidores de um estado ou município. O dinheiro é aplicado por um comitê de investimentos, com regras do Ministério da Previdência.
Por que o caso cresceu tanto
O Master não foi só um banco que quebrou. O caso envolve:
- Alertas antes da quebra. Uma gestora enviou em setembro de 2023 um relatório de 31 páginas ao chefe da supervisão bancária do Banco Central apontando o crescimento acelerado da captação em CDBs [11].
- Um banco público. O BRB, banco do Distrito Federal, anunciou em março de 2025 a compra de parte do Master [12]; o Banco Central vetou a operação em setembro [13]. Veja o BRB e o Master.
- Pagamentos a pessoas influentes. O banco declarou à Receita pagamentos a escritórios e consultorias de ex-autoridades e familiares de autoridades. Pagamento declarado não é prova de irregularidade; a situação de cada um está em Pagamentos e contratos.
- Investigações em curso. As suspeitas de crimes estão sob investigação, e ninguém foi condenado criminalmente até a última verificação deste acervo. Veja Investigações e processos.
O que ainda não se sabe
- Quanto a liquidante conseguirá recuperar, e quanto cada credor fora da garantia vai efetivamente perder.
- Qual é a perda oficial, reconhecida em balanço, de cada instituto de previdência.
- O resultado das investigações criminais: até a última verificação, não havia denúncia recebida nem condenação criminal localizada nas fontes consultadas.