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Tropa do VorcaroAcervo do caso Banco Master

Dossiês

Qual foi a relação do Master com o BRB?

O banco público do Distrito Federal tentou comprar parte do Master, comprou dele bilhões em carteiras de crédito que a PF diz serem sem lastro, e agora registra perdas. Quem decidiu cada passo, quanto foi proposto, contratado, pago e perdido.

Documentado Atualizado em 2026-10-17T00:00:00.000Z

Resumo

O BRB é controlado pelo governo do Distrito Federal [1]. Em 28/03/2025 o Conselho de Administração aprovou por unanimidade a compra de 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais do Master [2], por cerca de R$ 2 bilhões [3]. A Câmara Legislativa autorizou a compra por 14 votos a 7 em 19/08/2025 [4], em projeto enviado pelo Executivo distrital [5]. O Banco Central indeferiu a operação em 03/09/2025 [6].

A compra do banco não aconteceu. Mas, antes e durante a negociação, o BRB comprou do Master carteiras de crédito — e é aí que está o dinheiro.

Valores por natureza (não somar)

NaturezaValorQuem afirma
Proposto pela participação no MasterR$ 2 biAgência Brasil [7]
Carteiras da Tirreno revendidas ao BRB (contratado)ver evidênciarelatório do grupo de trabalho do BRB [8]
Pago por créditos + “prêmio”R$ 6,7 bi + R$ 5,5 bidocumentos da Compliance Zero; contestado [9]
Repassado ao grupo entre jul/2024 e out/2025cerca de R$ 16,7 biPF, alegação [10]
Total de carteiras analisado pelo peritoR$ 17,5 bilaudo da PF [11]
Prejuízo nos títulos da Tirreno; provisão totalR$ 2,6 bi; R$ 8,8 bio próprio BRB [12]

Os R$ 16,7 bi, R$ 17 bi e R$ 17,5 bi são medidas diferentes de um mesmo conjunto de operações, com perímetros distintos; não se somam. Carteiras devolvidas e trocadas por outros ativos não são dinheiro recuperado.

Quem decidiu

  • Governo do DF: Ibaneis Rocha governou até 30/03/2026 [13]; escolheu Paulo Henrique Costa para presidir o BRB em 2019 [14] e sancionou a lei de autorização [15]. A PF descreve um papel maior do governador nas decisões do banco; isso é alegação, e a defesa nega [16].
  • Conselho de Administração: aprovou a compra em 28/03/2025; os votos individuais não foram localizados.
  • Diretoria Colegiada: um laudo da PF aponta participação individual de seis ex-dirigentes nas compras de carteiras [17] — alegação, fonte única.
  • Câmara Legislativa: autorizou a compra [18].
  • Banco Central: indeferiu [19].

Investigações

Costa foi afastado em 18/11/2025 [20] e preso em 16/04/2026, na quarta fase da Compliance Zero [21]. O Tribunal de Contas do DF bloqueou cautelarmente até R$ 2,76 bilhões de cinco ex-dirigentes [22]. Nenhuma denúncia criminal foi localizada até a última verificação.

Contraditório

A defesa de Costa afirma que ele “foi presidente do BRB, não seu dono” e que decisões desse porte envolviam outras instâncias [23]. Vorcaro disse ao STF que o BRB nunca pagou de fato pelas carteiras [24] — versão que conflita com os documentos da investigação.

O que ainda não se sabe

  • Atas do Conselho de Administração e da Diretoria Colegiada do BRB, com votos individuais.
  • Fundamentos do Banco Central para indeferir a compra (o BC não os divulgou).
  • Perda reconhecida em balanço: o BRB adiou as demonstrações do 3º e 4º trimestres de 2025; nenhuma publicação posterior foi localizada.
  • Confirmação oficial dos nomes atingidos pelo bloqueio do TCDF, número do processo e relator.
  • Se o contrato de empréstimo com o FGC foi assinado.